Ir à farmácia comprar um remédio para aliviar qualquer dor ou mal estar é uma prática reprovada por médicos, farmacêuticos e outros profissionais da saúde. De acordo com dados da Abifarma (Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas), cerca de 20 mil pessoas morrem vítimas da automedicação todos os anos no Brasil. A maior incidência de problemas relacionados à prática está ligada à intoxicação. Os idosos são os campeões da automedicação e, consequentemente, das suas reações indesejadas.
O farmacêutico da Farmácia Hospitalar do Hospital Cemil, Jader Caldas Ferraz, alerta quanto aos perigos da automedicação. Segundo ele, esta prática representa um risco iminente à saúde, especialmente para os idosos. “Em geral, os idosos já apresentam doenças crônicas e fazem o uso de medicamentos recomendados pelos médicos. Ao usar outros remédios, eles podem desestabilizar os tratamentos a que vêm sendo submetidos, assim como provocar uma intoxicação”, disse.
Quase duas décadas trabalhando em farmácias convencionais e hospitalares, renderam ao farmacêutico Jader Ferraz algumas experiências com pacientes que se intoxicaram com medicamentos. Segundo ele, na maioria dos casos os medicamentos administrados foram recomendados por vizinhos, amigos, parentes e, até mesmo por profissionais que atuam nos estabelecimentos farmacêuticos. Outro agravante apontado por ele é a associação de vários medicamentos.
“Já atendemos casos de pacientes diabéticos que tomaram medicamentos que acabaram agravando o quadro, por exemplo, com o uso contínuo de xaropes por recomendação de terceiros. Isso é um perigo porque os medicamentos prescritos, além do efeito desejado, possuem efeitos colaterais que são monitorados pelo profissional que avaliou as condições gerais de saúde do paciente. Qualquer nova substância pode desencadear novos efeitos. Antes de tomar qualquer remédio é preciso perguntar a opinião do médico”, orienta o profissional.
Os analgésicos, os antiinflamatórios e os antigripais são os medicamentos mais usados indiscriminadamente. Porém, Ferraz ressalta que mesmo os remédios aparentemente inofensivos podem causar complicações.
No caso dos analgésicos, cujo princípio ativo é o ácido acetilsalicílico, o uso indiscriminado pode causar lesão aguda na mucosa gástrica e é contra-indicado em pacientes que já tiveram úlceras. Também possui ação anticoagulante que pode provocar sangramentos e hemorragias internas. Já os antiinflamatórios podem causar descompasso no quadro daqueles que têm problemas cardíacos, renais, além do aumento de pressão arterial. Os antigripais também podem aumentar a pressão arterial, além da intra-ocular e os batimentos cardíacos. Alguns deles também possuem substâncias que podem afetar a próstata gerando a retenção urinária.
De acordo com Ferraz, o consumo de medicamentos sem prescrição tem sido favorecido pela grande quantidade de produtos farmacêuticos lançados no mercado e pela força da publicidade que os promove, pela simbolização da saúde que o medicamento pode representar e pelo incentivo ao autocuidado, além de outros fatores.
São mais de 32 mil rótulos no país, com variações de 12 mil substâncias. É um número elevado se considerarmos a lista de medicamentos essenciais para o bem-estar, proposto pela Organização Mundial de Saúde (OMS), de apenas 300 itens, ou mesmo as 6 mil drogas disponíveis nas farmácias britânicas.
Fuja da “empurroterapia”
A grande quantidade de medicamentos à venda nas farmácias provoca a concorrência entre os fabricantes e o incentivo à venda indiscriminada. O farmacêutico Jader Caldas Ferraz alerta sobre o perigo da chamada ‘empurroterapia’. “Juntamente com a automedicação, que chega a ser considerada uma questão cultural entre os brasileiros, a ‘empurroterapia’ é outra causa que colabora para os altos índices de intoxicação por medicamentos no Brasil”, disse.
De acordo com Ferraz, a grande maioria dos medicamentos a venda nas farmácias são comissionados. Quer dizer que, com a venda de um desses produtos, o profissional de farmácia recebe um bônus de venda. “Isto acaba gerando a empurroterapia, a venda e o uso indiscriminado de remédios, o que pode causar sérios riscos à saúde”, salienta.
O resultado desta prática pode ser lido em números: apenas um terço das 400 milhões de caixas de remédio vendidas por ano no Brasil veio de prescrições médicas.
De acordo com o farmacêutico, todo medicamento deve ser prescrito pelo médico. “O paciente deve ficar atento quando lhe ofertarem medicamentos que não estão prescritos na receita. Com a insistência, balconistas acabam convencendo o paciente a comprar o remédio mesmo sem necessidade. Essa prática, além de abusiva, pode causar diversos males a saúde, podendo agravar ainda mais o quadro do paciente. Procure comprar seus medicamentos na sua farmácia de confiança ”, recomenda Ferraz.
1. Cuidados ao tomar um medicamento
Conferir o nome do medicamento e a data de validade;
Verificar as orientações do médico registradas na receita;
Confirmar a dose a ser administrada;
A noite, evite tomar o medicamento com as luzes apagadas;
Lave as mãos antes de pegar no medicamento.
2. Conservação de medicamento
Mantenha o medicamento na embalagem original, em lugar seco, fresco, arejado e ao abrigo da luz solar direta;
Evite guardar medicamentos na geladeira (a menos que seja indicado);
Quando for indicado guardar medicamentos na geladeira, embale com plástico;
Evite guardar medicamentos próximo de alimentos, produtos de higiene ou limpeza;
Ao viajar de ônibus ou avião, leve o medicamento na bagagem de mão;
Observe os demais cuidados contidos na embalagem.
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