12/02/2009 - A INFLUÊNCIA DO PERFIL ROTACIONAL DOS MEMBROS INFERIORES EM PORTADORES DA SÍNDROME DA DOR ANTERIOR DO JOELHO
Introdução
A Síndrome da Dor Anterior do Joelho é a desordem patelofemoral que gera o maior número de queixas em consultórios de medicina desportiva1. Tem incidência duas vezes maior em mulheres e acomete primordialmente adolescentes e adultos jovens, os quais estão diretamente envolvidos com atividades recreativas, desportivas e profissionais2. Devido ao fato de a patologia ser ainda muito discutida, é que se faz necessário investigar de forma mais acurada esta desordem patelar. Uma vez que o mau alinhamento do membro inferior é considerado uma importante causa desta síndrome, o objetivo do presente estudo é discutir a literatura atual acerca da importância da avaliação do perfil rotacional (torção femoral, torção tibial e pronação da articulação subtalar), para que possamos desenvolver uma conduta terapêutica mais eficaz e individualizada.

Materiais e métodos
Este trabalho consta de um levantamento bibliográfico, por meio do acesso a sites de pesquisa (MEDLINE 1966-2008) para obtenção de artigos científicos, através de livros e materiais de acervo pessoal.

Resultados
Alguns autores relatam que existe uma maior predominância da torção femoral interna no desenvolvimento da disfunção patelofemoral, pois o centro da patela irá se mover para uma posição mais medial em relação à espinha ilíaca ântero-superior, aumentando assim o ângulo Q3. Outros autores demonstram que a torção tibial externa pode ocorrer de forma secundária à torção femoral interna, que por sua vez promove estresse do trato íleo-tibial, tensor da fáscia lata e consequentemente do retináculo lateral, aumentando a compressão patelar e causando inclinação lateral da mesma. Ademais, a tensão excessiva de tal musculatura irá aumentar as forças entre o tendão patelar e o tendão quadriciptal, levando ao aumento do ângulo Q4.
A pronação subtalar é um episódio fisiológico que ocorre durante a marcha5, contudo, uma pronação excessiva ou prolongada pode levar à torção femoral interna, de forma compensatória, para gerar uma relativa rotação lateral do platô tibial sobre os côndilos femorais. Tal cascata de alterações resultará no aumento do ângulo Q, implicando diretamente no aumento das áreas de contato e de pressão na superfície articular lateral da patela e incremento da tendência à incongruência patelar e dor2,4,6.

Conclusões
Dentre as alterações rotacionais pesquisadas, a torção femoral interna, rotação lateral da tíbia e pronação subtalar foram as mais encontradas e relacionadas biomecanicamente com o surgimento de tal disfunção patelar. No entanto, ainda há no meio científico, discordância a despeito dessas correlações.


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